A diferença entre o charme brasileiro e o soul line norte-americano

O Brasil é o quinto maior país do mundo. Com mais de 200 milhões de habitantes, cinco regiões, é quase impossível não ter uma diversidade cultural em todas as suas linguagens, sobretudo, a dança. Tem desde as mais conhecidas como o samba, frevo, forró, maracatu; até as não tão conhecidas assim: caninha verde, ciranda do norte, congada. Algumas de caráter folclórico, outras nem tanto, mas todas representado a pluralidade do país.

Já nos Estados Unidos, quarto maior país do mundo, também existem várias danças populares, mas quase todas tem o mesmo ponto de partida. São uma espécie de evolução uma da outra. Inclui-se as vertentes e sub-vertentes do jazz, as danças do hip hop e a dança country. Mas tem uma que se familiariza muito com o charme do Rio de Janeiro, é o soul line.

line dance surgiu na década de 1970, com a disco music. Nesse mesmo período, a country-and-western dance também surgia. Difícil dizer qual começou antes, porém as duas tem as mesmas características, as pessoas se posicionam em linhas e fazem uma sequência de passos que vão se repetindo durante a música. No country, a formação das linhas pode variar com dois grupos de pessoas dançando um de frente para o outro. No filme Footloose (2011) tem uma cena que mostra bem esse tipo de dança:

Em seu outro formato, o que vem da disco music, ela foi sendo aprimorada de acordo com o desenvolvimento das danças populares, principalmente no surgimento do hip hop. Para os negros norte-americanos, esse jeito de dançar está diretamente ligada à sua cultura. Não é preciso ir longe para fazer aulas de soul line e nas festas e confraternizações, já é presença garantida.

A dança charme surgiu no Rio de Janeiro, no final do anos de 1970, em um baile que acontece debaixo do Viaduto de Madureira. É uma festa semanal em que os preparativos são feitos durante toda a semana, desde a escolha da roupa, ao ensaio das coreografias. Através da música, se tornou o encontro da cultura negra dos Estados Unidos, com a cultura negra do Brasil. 

O termo foi usado pela primeira vez pelo Corello DJ, quando em um determinado momento ele colocava nas pick-ups músicas de beats mais lentos, como R&B, smooth jazz, slow jams urban e dizia aos frequentadores da festa que aquele era o momento do charminho. Essa era a deixa para que todos mostrassem suas particularidades e suas personalidades na dança. O nome foi sendo repetido e propagado por outros DJs, até que a festa de Madureira ficou conhecida como Baile Charme. 

Hoje o viaduto se tornou centro cultural, onde durante a semana acontecem diversas atividades, dentre elas, aulas de charme.

 

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