O mito do jazz puro – Uma história resumida do Jazz

O jazz é um movimento social que teve como modo de expressão a dança, música e o canto. Começou quando pessoas negras ainda eram escravizadas nos Estados Unidos e que em suas festividades uniam os ritmos que já praticavam em seus territórios na África, com a influências de sons europeus. Principalmente da França, país que foi um dos primeiros a explorar a região de Nova Orleans, cidade considerada o berço do jazz.

Transitou pelas bandas marciais e uma de suas primeiras vertentes vem desse cruzamento entre a cultura afro-americana com a europeia, fazendo do ragtime o ritmo que embalava o começo do século XX.

Com o passar dos anos, conforme foram surgindo novas influências e tendências, o jazz que foi por décadas a música pop dos Estados Unidos, foi se transformando, até que uma de suas ramificações foi se configurando no rock & roll.

Por ser um movimento cultural oriundo do povo, passou por diversas mudanças durante todos esses anos de existência. Mas ainda hoje, os registros dessas mudanças são escassos, principalmente na dança, onde o conhecimento fica apenas por conta da oralidade, andando na contramão do estudo do próprio jazz. O que existe além da área musical, são livros, artigos e teses que possuem apenas a visão social-antropológica e datadas até um período muito atrasado à realidade artística do jazz.

Na música, o conceito de pureza se aproxima muito da era bebop e pós-bebop, que foi justamente a grande fase em que a dança e a música se tornaram assumidamente independentes uma da outra. Na dança, o conceito de puro tem referência nos primeiros musicais, como o famoso “Amor Sublime Amor” (‘West Side Story’,1957).

Um nome importante dessa época é Jack Cole (New Brunswick, 1911 – Los Angeles, 1974), que às vezes é deixado de lado, fazendo com que a Era (Bob) Fosse como seja considerada a fase mais purista do jazz.
“Sweet Charity” e “Chicago”, dois grandes musicais da década de 1970, possuem coreografias que mostram bem a assinatura do diretor e coreógrafo estadunidense, como a musicalidade dos bailarinos e o caminhar baixo, com o quadril elevado para frente.

Nessa época, os filmes musicais eram febre, assim como o show business ainda garantia grandes bilheterias, onde o jazz estava completamente introduzido e já havia sofrido uma de suas primeiras influências de técnica, que foi a utilização da dança clássica como base, trazendo uma nova estética e virtuosismo para a dança.

No Brasil, a dança ficou conhecida e popularizada durante a década de 1980, principalmente pela televisão, nos programas de auditório e nas aberturas de novelas. Bailarinos e professores brasileiros faziam várias viagens aos Estados Unidos para terem aulas de jazz em escolas como o Joffrey Ballet School, em Nova Iorque e traziam os conhecimentos adquiridos, adicionando seus próprios entendimentos e características.

Pode-se dizer que foi quando o intercâmbio começou a de fato ser globalizado, que a dança jazz começou a intensificar a sua qualidade de hibridismo. Cada coreógrafo da modalidade, colocava em suas aulas e trabalhos, formas e jeitos próprios, consequentemente criando novos subgêneros. Assim foram nascendo os novos conceitos de jazz, como: jazz lírico, modern jazz, jazz latino. Um dos grupos de maior sucesso no país, foi o Grupo Raça, que Roseli Rodrigues fundou e dirigiu até o ano de sua morte, em 2010.

Atualmente, com o mercado de teatro musical crescendo no Brasil, principalmente no eixo Rio-São Paulo, o interesse pela modalidade está cada vez maior, como um dia fora na década de 1980. Embora predomine o jazz contemporâneo e o lírico, reality shows brasileiros e estrangeiros, estão ajudando a criar um público leigo a ter um senso mais crítico sobre essas danças, como é o caso de So You Think You Can Dance (EUA) que está indo para a sua 15ª temporada e a versão brasileira de Dancing With the Stars, o Dancing Brasil.

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