Onde estão as referências negras do Jazz Dance?

A apropriação e o embranquecimento do Jazz Dance fizeram com que surgissem novas nomenclaturas, categorias e referências. Todas de acordo com o que a branquitude elegeu ser significativo ou não dentro da dança Jazz, inclusive o que seria levado para um âmbito profissional e o que continuaria no contexto social/popular. Com isso, ao trazer nomes mesclados da Era Vernacular com nomes do início da Era Comercial, pesquisadores brancos questionam a coerência dessas informações, umas vez que existem conceitos acadêmicos diferentes para cada época do Jazz Dance.

E é justamente essa a questão que me interessa enquanto estudiosa do Jazz. Descolonizar o pensamento sobre a dança e entender que toda figura preta que fez história nessa estética performativa, o fez pelo todo, independente de quando isso ocorreu no tempo-espaço, mencionando apenas para entendimento de contexto histórico. É importante que pessoas brancas que se interessam pela cultura negra, seja ela qual for, se lembre que sua voz sobre o objeto de interesse, será sempre secundária. Porque não é sobre ela, nem sobre o que ela enxerga antropologicamente sobre as formas que pessoas pretas sobreviveram e ainda sobrevivem positivamente mesmo diante de tanta opressão intelectual oriunda dos brancos.

Entendido isso, vamos para alguns nomes importantes dentro da história do Jazz Dance:

Katherine Dunham (1909 – 2006)
Fundou a primeira companhia de dança moderna negra na América. Inventou a técnica de ‘isolacionismo corporal’ na dança (um dos embasamentos do Jazz Dance). Fundou também a ‘Katherine Dunham Dance Company’. Além de ser a principal referência do Jazz Afro-Caribenho.

Frank Hatchett (1935 – 2013)
Também era conhecido como ‘The Doctor of Jazz’. Misturou funk e interpretação individual com jazz. Criou um novo ramo da dança chamado VOP. Ganhou um Oscar pelo documentário ‘Histórias reais’, sobre sua vida e também recebeu o Prêmio Fred Astaire no ano de 2012.

Michael Peters (1948 – 2004)
Usou uma técnica, até então, única na dança: em vez de usar contagens como outras técnicas de dança, ele enfatizou o uso do ritmo das batidas dos instrumentos. Seu movimento característico foi o ‘worm’. Foi co-coreógrafo do musical da “Dream Girls” (Broadway), ganhou dois Emmys pela coreografia de ‘Liberty Weekend Closing Ceremonies’ e ‘The Jetsons: An American Dream video’. Coreografou o videoclipe de Michael Jackson “Beat It” e “Thriller”.

Outros nomes para pesquisar sobre:

  • Jojo Smith (1938 – 2019)
  • Frank Manning (1914 -2009)
  • Norma Miller (1919 – 2019)
  • Josephine Baker (1906 -1975)
  • George “Shorty” Snowden (1904 – 1982)
  • Earl Snakehips Tucker (1906 – 1937)

Pessoas vivas (até a publicação dessa postagem) que estão escrevendo seus nomes na história do Jazz Dance:

  • Dollie Henry (Londres, Inglaterra)
  • Will B. Bell (Los Angeles, Estados Unidos)
  • Khori Petinaud (Nova Iorque, Estados Unidos)
  • LaTasha Barnes (Boston/Nova Iorque, Estados Unidos)
  • Robert Modestine (Paris, França)
  • Edson Santos (São Paulo, Brasil)

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