Por que a dança e a música do Jazz são tão diferentes?

Esse pode parecer um questionamento bobo, já que são duas artes e formas de comunicação distintas. Mas até a década de 1950, esses dois movimentos culturais ainda tinham seus elos muito bem estabelecidos e tudo o que precisavam.
Até que tudo, já não era mais suficiente.

A história do jazz começa por volta do final do século XVIII, mas somente no início da década de 1900 que ele ganhou um status quo de execução e apreciação. Oficialmente, se tornara a música e a dança popular norte-americana. Durante um período de aproximadamente 40 anos, o jazz passou por algumas fases, o ragtime, cakewalk, charleston e swing. Foi aí que as coisas começaram a mudar.

Em 1940, além das big bands tocando swing, um outro interesse surgiu no meio musical, a vontade dos músicos de poderem imprimir um pouco mais de suas personalidades nas músicas em que tocavam. Mesmo os solos ainda sendo grandes destaques das big bands, como as orquestras de Glenn Miller (1904 – 1944) e a de Count Basie (1904 – 1984) por exemplo, para muitos as deixas estavam caindo no clichê e a qualidade técnica se perdendo. 
Foi quando o Minton’s Playhouse, praticamente recém inaugurado no Harlem, Nova York pelo saxofonista Henry Minton (1885 – 1970), se tornou um dos points de músicos que queriam explorar suas habilidades com seus respectivos instrumentos e também em grupos, que dessa vez, ao invés de até trinta pessoas, reduziu-se a número de no máximo seis.

Nesse mesmo período da década de 1940, a Broadway que em meados de 1870 já havia recebido peças de teatro musical, e que no início do novo século vinha competindo com a novidade do cinema e também com a crise de 1929, finalmente começou a entrar no que ficou conhecido como Era Dourada (Golden Age). O considerado pioneiro dessa época foi o musical “Oklahoma!”, que conta a história de entre um caubói e uma moça criada na fazenda.

Embora esse musical não tenha tanto essa característica do jazz e do sapateado, ainda assim, foi uma grande oportunidade para dançarinos profissionais e também os que aspiravam ser, incrementar seus movimentos e suas danças com outras práticas como o balé e a dança moderna, que também estava começando a ganhar o seu espaço e seguidores. O sapateado, tão popular quanto o jazz, no que se diz respeito cultura local e social, também ganhou qualidades técnicas e se tornou a outra linguagem da dança muito querida pelos coreógrafos e diretores dos showbusiness
Isso na visão embranquecida sobre Jazz Dance.

Com essa simbólica separação da música e da dança do jazz, cada uma seguindo as suas necessidades artísticas e de criação, que aos poucos, aparentemente, deixaram de se conectar; ambas cresceram e evoluíram muito. Embora ainda exista muito do mito do jazz puro e também os “classistas contemporâneos” que se recusam a ver as transformações e inovações dentro dessa linguagem que desde quando começou a dar as caras, já estava embutida a ideia de novo, hoje, tanto na dança quanto na música, é possível ver artistas de décadas de vivência e outros de poucos anos, utilizando dessa forma orgânica e visceral, para se comunicar com o mundo.

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2 Comments

  • Matiely

    Sempre bom acompanhar suas escritas!

    28 de setembro de 2018 at 19:12 Reply
    • Fla Pereira

      Obrigada pelo incentivo!

      1 de outubro de 2018 at 12:37 Reply

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