Vogue, muito além da pose!

Com inspiração nas poses de modelos da revista Vogue, é uma dança surgida no Harlem, New York na década de 1960. De orgiem afro-americana e popularizada pela comunidade LGBT+ nos anos de 1980, era dançada e performada em festas chamadas “balls” ou “ballrooms” em sedes de coletivos de dançarinos e artistas independentes chamadas “house”. Como as famosas House of Xtravaganza e House of Ninja. Essas casas tinha um conceito de família. Cada membro adotava no próprio nome o da casa a qual pertencia e nas competições se tornava representante da sua família voguing. Nesse começo, os principais frequentadores eram negros e latinos de classe baixa. Com a popularidade aumentando, pessoas brancas de classe média também começaram a frequentar a estas festas.

O vogue se subdivide em três estilos: old way, new way e femme. O old way é esse começo da popularização, onde os movimentos eram mais simétricos. As batalhas tinham como objetivo impossibilitar o adversário de fazer os movimentos, que poderiam, além dos braços, serem feitos só com as mãos, contra uma parede ou no chão.
O new way, veio a partir da década de 1990. O termo vem de como esses novos dançarinos chamavam os voguers mais antigos. No novo jeito de fazer voguing, incluíram-se contorções, tutting (uma dança com as mãos que envolve a habilidade com os dedos) e o locking, partes da cultura do hip hop dance. Além disso, também exibiam-se flexibilidades extremas, tanto de braços, quanto de pernas.

Já o vogue fem, atribui elementos de outras danças como balé e o jazz, além de poder ser “dramatic”, com velocidade e acrobacias, ou “soft”, uma estética de fluxo mais simples e graciosa. Existem alguns movimentos que dão mais características ao femme, como o catwalk, releitura de uma passarela, o duckwalk, um andar agachado que exige equilíbrio e força nas pernas, mergulhos e quedas chamados de dips, e também giros, os spins. Tudo isso somado às características do old e new way. 

No ano de 1990, Madonna lança a música “Vogue”, junto de um videoclipe icônico que tem a coreografia assinada por Jose e Luis Xtravaganza, fundadores da House of Xtravaganza. No mesmo ano, foi lançado o documentário “Paris is Burning”, de Jenne Livingston. O filme foi rodado durante a década de 1980 e mostra a vida das drag queens de classe baixa de New York e, por fazer parte desse universo, um pouco do vogue.

 

Com o estudo da dança sendo cada vez mais completo, hoje em dia, os voguers também trabalham outras linguagens corporais, como o circo e a ginástica, a fim de aprimorar suas performances. Há uma competição anual, em que a cada edição, as habilidades dos dançarinos sempre se supera em excelência. É o Streetstar:

 

Por fim, não tem como falar da cena drag e vogue atual, sem mencionar o reallity show RuPaul’s Drag Race. Uma competição de drag queens, onde semana a semana, passam por desafios que envolvem desde uma simples caminhada a confecção de roupas e figurinos com materiais que vão além de tecidos. RuPaul tem sido considerada umas das pessoas responsáveis por reascender a chama das drag queens e performers LGBT+, que foram esquecidos na virada do milênio.

Leave a Reply