O que é Jazz Brasileiro?
Pra começar a discorrer sobre esse pensamento, vamos para a música jazz e o jazz brasileiro dentro desse contexto.
Entende-se que o jazz brasileiro faz parte do longo período do modernismo no Brasil, entre as décadas de 1920 e 1980, fazendo com que, durante esses sessenta anos, quatro períodos sejam identificados como formas diferentes de fazer esse jazz, sendo o dos anos 80 o mais comum, associado ainda hoje na contemporaneidade como a referência de jazz feito no Brasil.
Na dança, não podemos dizer que exista uma vertente de fato com o nome de jazz brasileiro, mas há formas de se fazer um jazz considerado brasileiro; e isso não se resume a uma música de samba ou funk e a dançar algo de jazz em cima.
Podemos usar aqui como exemplo o jazz Afro-Caribenho, que existe desde a década de 1940 e foi perpetuado por Katherine Dunham, que era uma dançarina excepcional e também antropóloga. Através da antropologia, ela foi pesquisando outras danças negras diaspóricas das Américas e incrementando o seu trabalho em dança, que também tinha fundamento no jazz. Katherine usava muito, além da dança caribenha, danças brasileiras. Ela esteve por alguns períodos no Brasil para estudar as nossas danças afro-diaspóricas. É por isso que existe a vertente do jazz Afro-Caribenho.
Para termos uma dança que vai ser conhecida como Jazz Brasileiro, essa dança precisa também passar por danças que são brasileiras e não necessariamente só o samba, mas podem ser também: o afoxé, o frevo, o carimbó, o passinho, etc.
Pra uma dança jazz ser considerada brasileira, ela precisa ter referências de danças populares brasileiras na sua execução, pelo menos na mesma medida que a dança jazz. Afinal, o jazz também é uma dança popular e social.
Ser brasileiro, usar músicas brasileiras e dançar com as mesmas estéticas da nacionalidade de uma dança, nesse caso, o jazz é estadunidense, não faz da sua dança um jazz brasileiro.
Pensando sobre isso, fica um outro questionamento: será que a dança jazz no Brasil é de fato jazz?